
Então, tá. Resolvi salvar o mundo.
Pelo que minha mãe diz, desde pequena fui diferente –
estranha é a melhor palavra.
Previa acontecimentos básicos – o carro ficaria sem freio
na viagem, onde estava o documento perdido, psicografava canções da Maysa.
Para mim tudo era corriqueiro. Óbvio. Não sabia que as
pessoas não sabiam antes do telefone tocar que o telefone iria tocar, e o
nome de quem ligava.
Tudo era muito simples.
Como a família não sabia lidar com isso, deixaram como
estava. Era melhor não contrariar.
Um acordo foi feito para sobrevivência de todos. Todo
mundo iria achar super normal minhas ações, por mais loucas que fossem.
E hoje descobri que vou continuar assim... homens tem
medo de mulheres que vêem o destino... podemos descobrir se eles nos
traem... bobos, sabemos disto sem ter nenhum dom especial... eles não
entendem nada de meninas mesmo...
Enfim, continuando o babado, o tempo passou.
Aí achei que realmente ultrapassei todos os limites. Aí
me encontrei.
Aí foi que mudei de família.
Cheguei em casa, contei a todos, e começou a perseguição.
Drogas, ilusionismo, charlatanismo... tudo que vocês podem imaginar foi
usado como acusação ... só porque vi uma nave espacial bem na minha frente.
Super normal. É só olhar para o céu, e contar com a sorte, claro... Enfim, a
terra parou para a família. E justo eu que não bebo, não fumo, não uso
drogas, e também .....não... (mas estas reticências são por pura falta de
opção, como já expliquei....) fui acusada injustamente. Só por uma
navezinha... e tive que escolher: ou a nave, ou a família.
Conhecendo a todos, preferi a nave.
Achei que ela me levaria a caminhos muito diferentes...
bem mais próximos da minha realidade.
Estava certa. Não sei o que houve com meus irmãos, mas na
minha vida foi uma reviravolta.
Depois das naves, vieram as visões, os contatos. E os
compromissos com a humanidade. Tudo super-normal.